31 janeiro, 2021

Volta às aulas vira disputa entre professores, escolas e governos

Depois de um 2020 de escolas fechadas, 2021 começou com a previsão de que haveria maior definição sobre a retomada das aulas presenciais. Estados organizaram seus calendários e planejaram o retorno parcial dos alunos para as salas de aula, em geral, para fevereiro. Famílias e escolas começaram a se preparar para a volta à rotina.
A pandemia, no entanto, não deu trégua —como já se imaginava, o número de casos e mortes pela covid-19 no país voltou a aumentar depois das festas de fim de ano. E a campanha de vacinação, que teve início no país no fim de janeiro, acontece aos atropelos: não dá para saber quantas doses teremos para os próximos meses e nem quando teremos uma quantidade razoável de pessoas imunizadas.
Esse cenário de incertezas alimenta o que virou uma verdadeira disputa entre professores, escolas e governos sobre a retomada das aulas presenciais no país.
De um lado, está quem defende a retomada das atividades presenciais:
As autoridades que garantem que há um protocolo de biossegurança, preparado com a ajuda de especialistas da saúde, que permite a reabertura das escolas.
As escolas particulares, em especial as de educação infantil, que temem ter de fechar as portas definitivamente devido à queda nas matrículas na pandemia, pois há sinais de migração de alunos da rede particular para a pública. Na cidade de São Paulo, as matrículas de crianças de 4 a 6 anos na rede municipal cresceram 73% em julho do ano passado.

De outro lado, quem tem receio:

Os professores, que questionam a segurança da volta das atividades nesse momento de recrudescimento da pandemia, com novas variantes potencialmente mais contagiosas em circulação em diferentes estados. A Apeoesp, sindicato que representa os docentes da rede estadual de São Paulo, diz que ainda há ambientes fechados e mal ventilados nas escolas e defende o retorno das atividades apenas com a vacinação dos profissionais da educação.
Com medo, os docentes se sentem inseguros e ponderam as possíveis consequências de uma maior circulação de pessoas em cidades que, mesmo em meio a uma pandemia, ainda têm ônibus e metrôs lotados. Em um país com desigualdades gritantes como o nosso, preocupa a condição das escolas de cidades Brasil afora, especialmente as da rede pública.
Em meio a essa encruzilhada, estão as crianças e adolescentes que dependem da merenda para ter uma refeição e que encontram no pátio da escola um ambiente seguro, livre de abusos que podem acontecer na rua ou até mesmo dentro de casa. Está também o aprendizado e o desenvolvimento de toda uma geração.
No Brasil, o fechamento das escolas já durou o dobro da média mundial desde o início da pandemia, segundo levantamento da Unesco.
No Brasil, os dados indicam uma média de 40 semanas de fechamento completo ou parcial. Em todo o mundo, cerca de 800 milhões de estudantes - ou seja, mais da metade da população estudantil - ainda enfrentam interrupções significativas em sua educação.
Em outros países, o que vinha se consolidando como uma tendência pela reabertura das escolas, no fim do ano passado, acabou sofrendo uma espécie de reversão, como aponta um relatório do Banco Mundial divulgado em janeiro.
A estratégia, no entanto, não foi de um fechamento geral: diversos países da Europa, por exemplo, optaram por estender o período de férias; no Reino Unido, filhos de trabalhadores essenciais e crianças em situação de vulnerabilidade podem continuar frequentando a escola presencialmente.
E, mesmo nos países onde foi necessário o fechamento das escolas, nunca foram deixadas de lado as discussões e o planejamento para a retomada. Em Portugal, o governo determinou, no dia 21 de janeiro, o fechamento de escolas e universidades por 15 dias. O governo português já considera que a retomada em fevereiro será 100% remota, mas garantiu que as aulas desse período de 15 dias serão repostas no futuro.


Fonte: Ana Carla Bermúdez do UOL, São Paulo

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